sexta-feira, 19 de julho de 2013

Fabricando tendas e edificando vidas

Autor:Sérgio Augusto Queiroz
Sérgio Augusto de Queiroz é procurador da Fazenda Nacional, bacharel em Direito, engenheiro civil, mestre em Teologia e em Filosofia (UFPB), doutorando em Ministério na Trinity International University (Chicago, EUA) e pastor presidente do sistema Cidade Viva - Twitter: @sergioaqueiroz 
Escrever sobre esse tema é razão de grande alegria, pois antes mesmo de ser uma reflexão teológica sobre o desafio de um ministério "bi-vocacional", é o retrato do que tenho vivido nos últimos anos. Essa questão comporta grandes debates e, muitas vezes, discussões acaloradas que polarizam os cristãos, especialmente os que têm sido chamados para liderar a igreja de Cristo.
Entreguei minha vida ao Senhor em 1995, aos 23 anos de idade, e, desde então, cresci na fé ouvindo lindos testemunhos de pessoas que deixaram tudo para servir ao Senhor nos campos missionários ou abandonaram carreiras promissoras para se dedicar ao que chamam orgulhosamente de ministério em tempo integral.
Todos aqueles relatos enchiam o meu coração de admiração, mas eu simplesmente não conseguia entender por que teria que deixar a minha carreira pública para me dedicar totalmente à igreja enquanto instituição, de modo a ser reconhecido como um verdadeiro ministro do evangelho – nos moldes, é claro, propostos pelos que defendem que ser integralmente sustentado pela igreja é a melhor e mais fiel das escolhas que um pastor pode fazer.
Anos passaram e resolvi preparar-me para o ministério. Assim, cheio de sonhos, entrei no seminário, enquanto também cursava Direito na Universidade Federal da Paraíba pois, embora amasse o cargo público que ocupava, fazia planos de ingressar em uma carreira jurídica federal. No ano 2000, após concurso público, tomei posse como procurador da Fazenda Nacional, cargo que ocupo até hoje; ao tempo que também comecei a desenvolver o meu ministério como pastor de jovens na Primeira Igreja Batista de João Pessoa.

A grande crise 
Para a minha tranquilidade, a vida como pastor auxiliar parecia ser totalmente compatível com a minha carreira no serviço público e isso começava a exercer uma forte influência na construção do meu pensamento sobre a relação entre ministério e vida profissional. Entretanto, a grande crise aconteceu quando fui chamado para ser o pastor titular da Primeira Igreja Batista do Bessamar. Afinal, eu deveria ou não deixar o meu "emprego secular" para ser um "ministro em tempo integral"?
Antes de tocar em algumas questões importantes para a compreensão do tema, quero esclarecer que o objetivo desse artigo não é, de maneira alguma, desqualificar o ministério daqueles que são sustentados exclusivamente pela Igreja, pois o próprio Paulo afirma que tal direito é algo plausível (2 Co 9.11-12). Por outro lado, especialmente em tempos onde pastores são muitas vezes vistos com suspeita, quero evidenciar que esse direito pode ser renunciado ou relativizado por motivos nobres e estratégicos, o que também está de acordo com o ensino apostólico (2 Co 9.15).
No início da minha carreira enquanto pastor titular, a gestão da igreja parecia fácil, mas, com o passar do tempo e o rápido crescimento da comunidade, a minha presença parecia ser cada vez mais necessária. Nesse momento de crise, eu tinha duas opções: ou deixava de ser procurador, ou reformulava a minha visão sobre o significado e a razão de ser da liderança pastoral. Após muitas lágrimas, escolhi a segunda opção e começamos o projeto Cidade Viva (www.cidadeviva.org).
Comecei a entender que trabalhar "fora" e continuar servindo à igreja com todas as minhas forças, tinha grandes benefícios. Dentre eles, a necessidade de priorização do meu tempo e a formação de uma equipe forte e comprometida, a exemplo do que fez Moisés quando recebeu o sábio conselho do seu sogro (Ex 18.13-26). Sem falar no exemplo que comecei a dar a todos os profissionais da comunidade, que vendo a minha luta pessoal para servir a Deus como profissional e pastor ao mesmo tempo, começaram a se sentir motivados a deixar a zona de conforto e a somar esforços para a consecução dos alvos da Cidade Viva.
Além disso, descobri que a falta de tempo para fazer tudo o que o ministério "exige", está fortemente relacionada à ausência de investimento intencional em outros líderes e à falsa ideia, por nós cultivada, e erroneamente aplaudida pelos membros da comunidade, de que somos imprescindíveis e insubstituíveis no cotidiano da igreja local. Contrariamente, Paulo ensina que o papel da liderança não é fazer a obra do ministério, o que normalmente muitos esperam dos pastores, mas preparar o povo de Deus para que todos façam a obra do ministério, com base na vocação de Deus, no sacerdócio universal de cada cristão e na singularidade dos seus dons e talentos (Ef 4.11-13).
Eu poderia citar dezenas de razões pelas quais defendo a valorização do ministério de profissionais cristãos que entendam a integralidade do seu papel no mundo e na igreja, mas reservo-me a mencionar apenas duas vantagens de "fazermos tendas" e edificarmos vidas ao mesmo tempo.

Modelo paralelo 
Não se trata, repito mais uma vez, de lutar contra o modelo tradicional relacionado ao ministério pastoral, mas de investir em um modelo paralelo de liderança cristã baseado na experiência do apóstolo Paulo, como uma alternativa teologicamente sã, eclesiologicamente viável e missiologicamente eficaz, para um mundo onde a cosmovisão cristã vem perdendo força em razão do pluralismo religioso e do laicismo estatal.
A primeira vantagem desse modelo de ministério é a necessária reconstrução do conceito bíblico de trabalho. Afinal, o que a Bíblia diz sobre aquilo que chamamos de trabalho "secular" e trabalho "sagrado"? Primeiramente, importa destacar que em nenhum lugar da Bíblia, especialmente no Novo Testamento, consta essa terminologia dualista. Em contrapartida, o trabalho justo, qualquer que seja ele, consta nas Escrituras Sagradas como sendo uma dádiva de Deus, um veículo de valorização e dignificação da vida humana, uma marca inquestionável da Imago Dei presente em todos nós, além de ser uma característica importantíssima do nosso mandato cultural. (Gn 1.28; Mt 10.7; Sl 128.1-2; 2Ts 3.10-11)
Se hoje dividimos as esferas da vida em sagrada e secular é porque estamos dando mais ouvidos a Platão do que a Jesus, estamos agindo como gnósticos, ou mesmo como quem bebe inadvertidamente das fontes do dualismo iluminista, fragmentando aquilo que Deus nunca desejou fragmentar. Para o Senhor não há trabalho "secular" nem trabalho "sagrado". Há simplesmente o trabalho que glorifica o seu nome e o que não glorifica. (1 Co 10.31)
Não obstante, temos de vencer o pecado que afeta o trabalho humano de uma maneira geral, e não achar que o trabalho "secular" seja mais ou menos importante do que aquele que é desenvolvido em um ministério voltado às necessidades espirituais da igreja local.
Somos todos, os remidos, povo enviado de Deus para o mundo, salvos pela graça e chamados para dar frutos onde quer que estejamos. Assim, todos nós devemos agir como sacerdotes do Altíssimo, pois é isso mesmo que somos, não deixando que alguns se sintam orgulhosos do seu trabalho "sagrado", enquanto minimizam ou relativizam a importância dos que têm um trabalho dito "secular".
A segunda grande vantagem de uma visão integrada do ministério cristão relaciona-se à morte de um mito que paralisa o Corpo de Cristo, o mito do Super-Homem. Esse mito é escravizador, pois aprisiona a igreja e os seus pastores a um paradigma equivocado, que coloca simples mortais em uma posição que simplesmente não é compatível com a sua limitada humanidade.
Confesso que sofri muitas vezes por não visitar todos, orar por todos, ouvir a dor de todos e resolver os problemas de todos os que me procuraram nesses anos, até que destruí definitivamente o mito do Super-Homem, quando comecei a perceber que o próprio Jesus não solucionou pessoalmente todas as demandas a ele apresentadas, mas repartiu com os discípulos a tarefa de ser Igreja. (Mc 3.7-9; Jo 4.1-3; Mt 14.15-16; Mt 25.34-40)
Finalmente, entendo que o próprio termo "bi-vocacionado" é contrário às Escrituras Sagradas, pois a minha vocação enquanto servo do Deus Vivo é uma só: glorificar ao Senhor, quer eu esteja em um Tribunal representando o Estado Brasileiro ou em um "templo" feito por mãos humanas defendendo a sã doutrina.

Fonte : Cristianismo hoje

Deus te abençoe sempre
Pr. Marcílio


quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Majestoso, Gracioso e Adorável Deus de Paulo!

Autor:Jaime Marcelino

Jaime Marcelino é pastor da Igreja Presbiteriana de Cidade Nova, em Manaus, e fundador da Conferência Encontros da Fé Reformada em sua região. Ele prega, frequentemente, em conferências no Brasil, tendo participado da Conferência Fiel em 2006. Jaime é casado com Francisca, com quem tem duas filhas.


Quem não se admira ao considerar a vida do apóstolo Paulo, especialmente à luz da carta que ele escreveu aos filipenses? Basta saber que quando a carta foi escrita, o apóstolo estava encarcerado e sem ter certeza se iria ser absolvido ou decapitado. No entanto, em nenhum outro lugar das Escrituras vemos tanto lirismo, alegria e paz, como nos escritos enviados aos crentes de Filipo! Qual foi o segredo dessa vida em abundância? Como explicar que alguém, estando continuamente acorrentado pelos pés a cada soldado que tirava o seu turno, pudesse dizer: "em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engradecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte" ? 1.Penso que a resposta para o viver vitorioso de Paulo acima das circunstâncias pode ser encontrada no final da carta aos filipenses quando ele afirmou num espírito de confiante adoração: "E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades. Ora, a nosso Deus e Pai seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém!" 2. Então, consideremos as maravilhosas palavras: E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades: Há em tais palavras, pelo menos, três grandiosas verdades: 1. O Majestoso Deus de Paulo; 2. O Que o Deus Majestoso Faz aos que Lhe Pertencem; 3. O Meio pelo qual o Deus Majestoso Beneficia aos que são Seus. Consideremos, agora, a primeira verdade desse versículo 19, a saber: O Majestoso e Gracioso Deus de Paulo à luz da sua afirmação: "E o meu Deus". Ora, essa é uma das mais significativas confissões de toda a Bíblia! E todos quantos têm o privilégio de afirmar, com toda convicção, com todo entendimento e com devoção: "Tu és o meu Deus", são verdadeiramente felizes! Afinal, tais pessoas têm um gracioso relacionamento pessoal com Deus, como pode ser visto no Antigo e no Novo Testamento: 1.1. Quanto ao Antigo testamento, consideremos alguns textos: * Eis o que afirmou Jacó em (Gn 28: 21): "de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então, o SENHOR será o meu Deus". * Em Êxodo 15:2, temos a contundente declaração de Moisés: "O SENHOR é a minha força e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus; portanto, eu o louvarei; ele é o Deus de meu pai; por isso, o exaltarei". * Assim falou Josué (Js 14: 8): "Mas meus irmãos que subiram comigo desesperaram o povo; eu, porém, perseverei em seguir o SENHOR, meu Deus". * Também Rute afirmou a Noemi (Rt 1: 16): "Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus". * E Davi expressou-se num momento de aguda crise (Salmos 63: 1): "Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água". 1.2. Quanto ao Novo Testamento: * Eis as palavras vindas da Cruz (Mt 27: 46): "Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?". * De novo Ele disse a Maria quando esta estava 'à entrada do túmulo' vazio (Jo 20:17): "Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus". * E mais, Ele afirmou acerca dos que perseveram em fé nEle (Ap 3:12): "Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome". Prossigamos, então, a considerar sete aspectos relacionados com o Deus de quem Paulo disse: "E o meu Deus...": 1. Em primeiro lugar, o Deus de Paulo é o Deus Trino! (Um em três pessoas). Quanto a isto eis o que diz o Catecismo de Westminster: "Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade - Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo. O Pai não é de ninguém - não é nem gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho" 3. Mas, vejamos a crença de Paulo no Deus Trino conforme vista nessa carta: * Quanto a crer em Deus o Pai e Deus o Filho, não há qualquer dúvida, pois ambos são mencionados com toda clareza: * "graça e paz da parte de Deus, nosso pai, e do Senhor Jesus Cristo"; * "e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai"; * "Ora, a nosso Deus e Pai seja a glória pelos séculos dos séculos" 4. * Quanto a Deus o Espírito Santo, as citações diretas são suficientes para demonstrar a crença de Paulo: * "e pela provisão do Espírito de Cristo"; * "Se há... alguma comunhão do Espírito"; * "Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne" 5. O Deus de Paulo é, pois, o Deus Trino, o incompreensível no sentido de não poder ser sondado e explicável! Que majestoso, gracioso e Trino é o Deus de Paulo! 2. Em segundo lugar, o Deus de Paulo é o Santo! É verdade que em nenhum lugar da carta aos filipenses o apóstolo denominou diretamente a Deus como sendo Santo! No entanto, o fez quando a endereçou "a todos os santos em Cristo Jesus" 6. Ora, sabendo que Deus é Santo, Paulo via aqueles que Deus chamou para Si como santos. E isto porque ele conhecia, desde o Antigo Testamento, o eco do maravilhoso princípio que diz: "Sede santos porque eu sou Santo"! Eis, pois, alguns textos extraídos do Livro da Santidade, que é o de Levítico: "Eu sou o SENHOR, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo" 7. É por isso que Paulo escreveu aos crentes que estavam em Corinto dizendo: "à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, o Senhor deles e nosso" 8. Assim, sendo o seu Deus o Santo, o apóstolo instava aos seus irmãos filipenses para que, cheios de temor e tremor, fizessem "tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo" 9. Que majestoso, gracioso e Santo é o Deus de Paulo! 3. Em terceiro lugar, o Deus de Paulo é o Único Suficiente Salvador! Paulo tinha toda convicção que, do princípio ao fim, o Deus Trino estava envolvido na sua salvação. Por isso, ao contemplar os frutos de justiça na vida dos filipenses, afirmou: Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus 10. Em outras palavras, ao Deus Trino pertence a salvação desde a regeneração, passando pela santificação, até alcançar a glorificação que ocorrerá no Dia de Cristo! Dessa maneira, o apóstolo Paulo estava convicto do envolvimento do Espírito de Jesus Cristo para salvá-lo 11. Estava seguro quanto ao Senhor Jesus salvá-lo definitiva e conclusivamente 12. E estava certo de que Deus, o Pai, é o Autor da salvação; por isso buscava a graça e a paz aos santos, sabendo que tais virtudes vinham "da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus"; e que tudo era "para glória de Deus Pai" 13. Ora, foi esse crente, Paulo, que de modo mui comovente clamou aos filipenses para que o imitassem e aos que andavam na mesma pisada da fé cristã, dando como razão a certeza da futura salvação em e por Cristo Jesus, dizendo-lhes: "Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas" 14. Que majestoso, gracioso e suficiente Salvador é o Deus de Paulo! 4. Em quarto lugar, o Deus de Paulo é o Rei dos reis e Senhor dos senhores! Ainda que muitos afirmem que Deus é o seu Deus, por suas atitudes, o negam! Não é verdade que muitos religiosos fazem do seu deus um servo? Ora, quando, por exemplo, uma pessoa estando enferma diz: 'eu não aceito tal doença', quem é que governa, ela ou o seu deus? Por outro lado, Paulo aprendeu a sempre estar alegremente debaixo da vontade do seu Deus, em quaisquer circunstâncias! Vejamos isso aqui em Filipenses! * Já no início da carta, Paulo afirmou ser "servo de Cristo Jesus" (Fp 1: 1). * Por isso, ele se considerava um prisioneiro de Cristo Jesus e não do imperador (1: 12, 13). * Também seus planos estavam em completa submissão ao Seu Senhor Jesus (Fp 2: 19-24). * Além disso, ele se utilizou da figura de um atleta para demonstrar sua total submissão ao propósito do seu Técnico/Senhor, como o fazem os inteligentes desportistas (Fp 3: 12-14). Ora, qual é o atleta de sucesso que não atendeu às ordens do seu técnico? Assim, também Paulo, por ver a caminhada cristã como uma corrida em busca do "prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus", seguia as regras determinadas por Seu glorioso Técnico, a quem ele dizia ser: Cristo Jesus, meu Senhor! Em outras palavras, diante do exaltado Cristo Jesus, Paulo dobrava o seu joelho e buscava, com 'tremor e temor', fazer toda a Sua vontade, a ponto de dizer: "para mim o viver é Cristo"; "tudo posso naquele que me fortalece" e "espero no Senhor Jesus mandar-vos Timóteo" 15. Assim, bem que poderíamos sumariar a conduta de submissão de Paulo, como o fizeram os demais apóstolos: "Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens" 16. Que majestoso, gracioso e Senhor dos senhores é o Deus de Paulo! 5. Em quinto lugar, o Deus de Paulo é o Deus Providente! Paulo também aprendeu a não ver o seu dia a dia como um infortúnio ou constituído de acasos! Para ele, toda a sua existência, toda a sua vida neste mundo, estava sob os cuidados do seu Deus! Era assim, porque Paulo cria ser seu Deus o Soberano que tudo faz como Lhe apraz, para a realização dos Seus Propósitos justos e bons! Em outras palavras, Paulo cria na Providência conforme definida e explicada pela Confissão de Fé de Westminster, que diz: I. Pela Sua muito sábia providência, segundo a Sua infalível presciência e o livre e imutável conselho da Sua própria vontade, Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória da Sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as Suas criaturas, todas as ações e todas as coisas, desde a maior até a menor 17. II. Posto que, em relação à presciência e ao decreto de Deus, que é a causa primária, todas as coisas acontecem imutável e infalivelmente, contudo, pela mesma providência, Deus ordena que elas sucedam conforme a natureza das causas secundárias, necessárias, livre ou contingentemente 18. III. Na Sua providência ordinária, Deus emprega meios; todavia, Ele é livre para operar sem eles, sobre eles ou contra eles, segundo o Seu arbítrio 19. Dessa maneira, estando Paulo preso, isto não o afetava no sentido de levá-lo à murmuração ou ao descontentamento. Pelo contrário, ele usava a ocasião e buscava consolar seus irmãos que estavam aflitos, dizendo-lhes: "Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho" 20. Por isso, Paulo cria que até as piores enfermidades, tanto nele como em seus irmãos em Cristo, eram dirigidas e ordenadas por Seu Deus e para o bem deles 21! Semelhantemente, todo e qualquer sofrimento de Paulo e dos seus irmãos eram considerados como um gracioso privilégio de sofrer por Cristo 22! Ora, bem que podíamos esperar que Paulo, estando em situações altamente críticas e quase desesperadoras, dissesse como o crente Jó: "temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? 23". Que majestoso, gracioso e Providente é o Deus de Paulo! 6. Em sexto lugar, o Deus de Paulo é o Deus da Aliança Eterna em Cristo Jesus! A própria expressão: "meu Deus" indica ser Deus o Deus da Aliança (acordo, compromisso, pacto). Ou seja, "Ele é o Deus que se alia" 24. Ora, a mais enriquecedora dedução que se faz desse ponto é o aspecto interpessoal envolvido na própria declaração: "meu Deus"! Em outras palavras, aqui nos encontramos vendo um homem que teve experiência pessoal com o Deus da Aliança - O Deus que se dignou a aliar-se com homens e mulheres pecadores, para lhes ser o Seu Deus e eles o Seu povo! Vejamos isso em algumas declarações das Escrituras: * Gn 17: 8 - O Senhor Deus disse a Abraão, o pai de todos os crentes: "Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Deus". * Jr 31: 33 - "Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo". * 2Co 6: 16-18 - "Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso". * Hb 8: 10 - "Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" Então, ao dizer "o meu Deus", o apóstolo está ressaltando o relacionamento pessoal entre ele e seu Deus, o Deus Vivo, que é também o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus! Sim, o Deus de Paulo é o Deus vivo, como bem enfatizou nosso Senhor Jesus, ao responder aos incrédulos saduceus: "E, quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos" 25. E é esse Deus que se alia de tal maneira com homens e mulheres, que Sua relação para com eles é de Pai celestial para com Seus filhos e filhas, dos quais Ele cuida. E o faz muito bem, como o apóstolo cria ao dizer: "E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades"! Oh! A essa altura, bem que poderíamos ouvir o próprio apóstolo Paulo bradar em alto e bom som: "Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? 26". Que majestoso, gracioso e Deus da Aliança é o Deus de Paulo! Afinal, Ele trata muito bem os Seus filhos, com os quais fez aliança no sangue do Cordeiro, providenciando tudo o que lhes é necessário para prepará-los para a glória eterna! 7. Em sétimo lugar, o Deus de Paulo é o único que deve ser Reverente e Alegremente Adorado! Porventura, dá para percebermos a reverência de Paulo contida em toda a carta aos filipenses 27? E o que dizer da sua confiança no seu Deus 28? E o que pensar da sua maravilhosa vida de Alegria em Deus? Quanto à sua alegria indizível e cheia de glória, vejamos dois aspectos: * Tal alegria era experimentada por ele mesmo! Ou seja, Paulo se alegrava por causa do bem estar espiritual dos seus irmãos; também se alegrava diante das perseguições; alegrava-se ao contemplar a comunhão dos irmãos; e se alegrava grandemente no Senhor 29! * Também vemos sua alegria pelo que fazia para que os outros se alegrassem no Senhor 30! Em outras palavras, ele se fazia cooperador da alegria dos que estavam sob os seus cuidados 31. Assim, essas três coisas - reverência a Deus, confiança em Deus e alegria em Deus - podem ser resumidas numa palavra: Amor total de Paulo a Deus, pelo que Este fez a Paulo e aos seus irmãos! Ora, tal era o seu amor pelo Deus Trino que chegou ao ponto de declarar confiantemente: "Dou graças ao meu Deus" e, também no texto que estamos considerando, disse: "e o meu Deus". Porventura, tal experiência não é semelhante à dos santos do Antigo Testamento, mencionados no início deste artigo? Recordemos, então, apenas as palavras de adoração de Moisés, as quais são a expressão do que temos visto em Paulo: "O SENHOR é a minha força e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus; portanto, eu o louvarei; ele é o Deus de meu pai; por isso, o exaltarei" 32. Quem, pois, conhecendo este Majestoso e Gracioso Deus e, envolvido no Seu amor redentor em Cristo por pecadores, deixará de expressar sua sincera adoração dizendo: "Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! 33"? Que majestoso, gracioso e Adorável é o Deus de Paulo! Dessa maneira, vimos que o Deus de Paulo é: 1) O Deus Trino; 2) O Deus Santo; 3) o Único Suficiente Salvador; 4) O Rei dos reis e Senhor dos senhores; 5) o Deus Providente; 6) o Deus da Aliança eterna; e, portanto, o único que deve ser Reverente e Alegremente Adorado! Esse Deus é o seu Deus? Ou seu deus é daqueles que são comandados por seus 'adoradores'? O Deus da Bíblia, que é o Deus de Paulo, é conhecido, confiável e reverente e alegremente adorado por você? Vale ou não vale a pena confiar seu futuro no "meu Deus"? No Deus que nos chamou em Cristo Jesus à Sua eterna glória 34? Que segurança é ter o conhecimento experimental desse Deus! "E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades. Ora, a nosso Deus e Pai seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém!"

Deus te abençoe sempre
Pr.Marcílio Gomes Marinho