domingo, 29 de abril de 2012

O Perigo do Populismo Evangélico



Autor:Eduardo Rosa Pedreira

O populismo enquanto fenômeno político e o jeito populista de governar já são velhos conhecidos de parte da sociedade brasileira, pois desde a era Vargas vem marcando presença significativa na história do nosso país. O que é relativamente novo neste cenário é um outro fenômeno que aqui chamaremos de populismo evangélico. Na essência, os dois são a mesma coisa, a diferença esta na aparência. Isto porque na versão evangélica este populismo aparece em uma embalagem própria para conquistar o público a que se destina. São essencialmente semelhantes por ambos se sustentarem e perpetuarem-se na figura do político carismático que sabe muito bem usar o palanque nos comícios, as câmeras na TV e as ondas no rádio, meio de comunicação de massa ainda muito forte entre as classes mais suscetíveis a este tipo de apelo. Uma vez eleito, o político populista, evangélico ou não, vai ter na sua prática de governo um comportamento idêntico em um ponto central: o uso da máquina do Estado para promover ações de curto prazo visando a resolver necessidades imediatas dos menos favorecidos, isto sem criar políticas públicas capazes de, a médio e longo prazo, influenciar na transformação das estruturas socioeconômicas geradoras da nossa desigualdade. Obviamente, os maiores e reais beneficiários destas ações não são sequer aqueles para quem elas teoricamente se destinam, mas sim quem as promove quando delas auferem significativo lucro eleitoral. Este populismo assume uma roupagem evangélica quando a mesma habilidade verbal do palanque é usada no púlpito a serviço de uma idéia, que, por assim dizer, é a chave mestra capaz de abrir as comportas do voto evangélico. Refiro-me especificamente ao uso que se faz do corporativismo de classe celebrizado na frase “irmão vota em irmão”. Com isto busca-se convencer o eleitorado a escolher um governante tão-somente pelo fato de ser evangélico. Ora o discurso populista de caráter puramente assistencialista, que já em si mesmo é extremamente sedutor, quando acrescido desta dimensão espiritual dá a este populismo evangélico uma combinação com muito poder de voto na disputa eleitoral. Esta é a razão pela qual vai se vendendo sistematicamente a ilusão de que, por ser o governante um evangélico, Deus naturalmente abençoará o seu governo, transformando tudo pelo poder das orações e a liderança do seu eleito. Esta falácia pode ser facilmente desmontada ao lembrarmos que quando escolhemos um governante os critérios desta escolha são mais amplos do que aqueles usados para escolher um líder religioso de uma igreja. Estamos elegendo alguém convocado pela sociedade para dirigir um povo marcado pela pluralidade, inclusive e principalmente de crenças. Não se governa uma cidade, estado ou país simplesmente apresentando como única credencial sua fé e denominação religiosa. Existem outras qualidades que um postulante ao governo de qualquer instância do nosso país deve apresentar, qualidades estas que os políticos representantes deste populismo evangélico fazem questão de não trazer a cena. É exatamente nesta manobra onde se verifica a clara instrumentalização da fé com fins puramente eleitorais, quebrando despudoradamente um mandamento bíblico dos mais sagrados, o de não usar o nome de Deus em vão! Importa ainda ressaltar que tais políticos não teriam sucesso não fosse a cooperação dos pastores orientando os seus rebanhos a votarem cegamente no candidato “ungido pelo Senhor”. Reedita-se então a histórica relação entre o rei cujo poder político era sustentado pelo poder espiritual do sacerdote! Infelizmente a Igreja Evangélica como hoje se configura é um terreno fértil para a proliferação deste populismo. Isto, por ser em sua maioria composta por denominações cuja presença maciça se faz sentir nas franjas sociais do nosso país, onde existe uma população marcada pela exclusão social, presa fácil deste esquema político-religioso. Todavia, há uma minoria em meio a esta grande massa disposta a marcar sua posição contrária a esta onda populista, pois enxerga nela graves perigos para a Igreja e para o país!

EDUARDO ROSA PEDREIRA é pastor da Comunidade Presbiteriana da Barra da Tijuca e professor da Fundação Getúlio Vargas.
Fonte:Amai-vos http://amaivos.uol.com.br/  e http://praxiscrista.blogspot.com.br/

Deus te abençoe sempre
Pastor Marcílio G. Marinho

terça-feira, 17 de abril de 2012

Homens de Deus - A.W.Tozer



Precisamos Novamente de Homens de Deus
A.W. Tozer
A igreja, neste momento, precisa de homens, o tipo certo de homens, homens ousados. Afirma-se que necessitamos de avivamento e de um novo movimento do Espírito; Deus, sabe que precisamos de ambas as coisas. Entretanto, Ele não haverá de avivar ratinhos. Não encherá coelhos com seu Espírito Santo.

A igreja suspira por homens que se consideram sacrificáveis na batalha da alma, homens que não podem ser amedrontados pelas ameaças de morte, porque já morreram para as seduções deste mundo. Tais homens estarão livres das compulsões que controlam os homens mais fracos. Não serão forçados a fazer as coisas pelo constrangimento das circunstâncias; sua única compulsão virá do íntimo e do alto.

Esse tipo de liberdade é necessária, se queremos ter novamente, em nossos púlpitos, pregadores cheios de poder, ao invés de mascotes. Esses homens livres servirão a Deus e à humanidade através de motivações elevadas demais, para serem compreendidas pelo grande número de religiosos que hoje entram e saem do santuário. Esse homens jamais tomarão decisões motivados pelo medo, não seguirão nenhum caminho impulsionados pelo desejo de agradar, não ministrarão por causa de condições financeiras, jamais realizarão qualquer ato religioso por simples costume; nem permitirão a si mesmos serem influenciados pelo amor à publicidade ou pelo desejo por boa reputação.

Muito do que a igreja faz em nossos dias, ela o faz porque tem medo de não fazê-lo. Associações de pastores atiram-se em projetos motivados apenas pelo temor de não se envolverem em tais projetos.

Sempre que o seu reconhecimento motivado pelo medo (do tipo que observa o que os outros dizem e fazem) os conduz a crer no que o mundo espera que eles façam, eles o farão na próxima segunda-feira pela manhã, com toda a espécie de zelo ostentoso e demonstração de piedade. A influência constrangedora da opinião pública é quem chama esses profetas, não a voz de Jeová.

A verdadeira igreja jamais sondou as expectativas públicas, antes de se atirar em suas iniciativas. Seus líderes ouviram da parte de Deus e avançaram totalmente independentes do apoio popular ou da falta deste apoio. Eles sabiam que era vontade de Deus e o fizeram, e o povo os seguiu (às vezes em triunfo, porém mais freqüentemente com insultos e perseguição pública); e a recompensa de tais líderes foi a satisfação de estarem certos em um mundo errado.

Outra característica do verdadeiro homem de Deus tem sido o amor. O homem livre, que aprendeu a ouvir a voz de Deus e ousou obedecê-la, sentiu o mesmo fardo moral que partiu os corações dos profetas do Antigo Testamento, esmagou a alma de nosso Senhor Jesus Cristo e arrancou abundantes lágrimas dos apóstolos.

O homem livre jamais foi um tirano religioso, nem procurou exercer senhorio sobre a herança pertencente a Deus. O medo e a falta de segurança pessoal têm levado os homens a esmagarem os seus semelhantes debaixo de seus pés. Esse tipo de homem tinha algum interesse a proteger, alguma posição a assegurar; portanto, exigiu submissão de seus seguidores como garantia de sua própria segurança. Mas o homem livre, jamais; ele nada tem a proteger, nenhuma ambição a perseguir, nenhum inimigo a temer. Por esse motivo, ele é alguém completamente descuidado a respeito de seu prestígio entre os homens. Se o seguirem, muito bem; caso não o sigam, ele nada perde que seja querido ao seu coração; mas, quer ele seja aceito, quer seja rejeitado, continuará amando seu povo com sincera devoção. E somente a morte pode silenciar sua terna intercessão por eles.

Sim, se o cristianismo evangélico tem de permanecer vivo, precisa novamente de homens, o tipo certo de homens. Deverá repudiar os fracotes que não ousam falar o que precisa ser externado; precisa buscar, em oração e muita humildade, o surgimento de homens feitos da mesma qualidade dos profetas e dos antigos mártires. Deus ouvirá os clamores de seu povo, assim como Ele ouviu os clamores de Israel no Egito. Haverá de enviar libertação, ao enviar libertadores. É assim que Ele age entre os homens.

E, quando vierem os libertadores... serão homens de Deus, homens de coragem. Terão Deus ao seu lado, porque serão cuidadosos em permanecer ao lado dEle; serão cooperadores com Cristo e instrumentos nas mãos do Espírito Santo...



Deus te abençõe sempre

Pr. Marcílio

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Fortalecendo a Família

ENTRANDO EM ACORDO COM SEU CONJUGE

Autor:Pr. Sérgio Leoto


“A sabedoria do homem lhe dá paciência; sua glória é ignorar as ofensas” (Provérbios 19:11). “A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” (Pv 15:1).“Dar a resposta apropriada é motivo de alegria; e como é bom um conselho na hora certa!” (Pv 15: 23). “Não retribuam mal com mal, nem insulto com insulto; ao contrário, bendigam; pois para isso vocês foram chamados, para receberem benção por herança” (1Pedro 3:9).

Ruth Graham, esposa do grande evangelista Billy Graham, numa entrevista à TV, respondeu de forma bem humorada ao repórter: “Se eu já tive vontade de me divorciar de Billy? NUNCA! Mas, de ‘matá-lo’, várias vezes!”.

Nossos conjuges também são maravilhosos! A maior parte do tempo, são agradáveis, amigos, companheiros, incentivadores, etc. Mas algumas vezes, falaríamos exatamente como a dona Ruth! Existem certas ocasiões ou certas discussões tão estressantes, que desejaríamos estar em “outro planeta”, para fugir delas. Muitos são os momentos, em que um dos conjuges tem que dizer: “Parei de discutir, porque percebi que ter PAZ é melhor, do que ter razão, nesta questão!”. Entrar em acordo é extremamente importante, no casamento. Não estamos sempre certos, mas também não erramos sempre! É impossível ganhar todas as discussões e também, é inconcebível estar sempre errado em todas as situações! O matrimônio, não é um ringue e nem um lugar de competição!
Só que algumas pessoas tem mais dificuldades em perceber, que o casamento é a reunião de DUAS cabeças pensantes e não apenas de UMA! E onde existem duas pessoas, existirão opiniões diferentes. Irão coincidir em alguns pontos, mas em vários outros, não! Acredite: NÃO É PECADO pensar diferente da outra pessoa! Mas quando decidimos ser um casal e viver uma linda história de amor, precisamos ENTRAR EM ACORDO!
Amós 3:3 diz: “Como andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?”. Para fazer um acordo, é necessário inicialmente, encontrar os pontos em que concordamos. Depois, cada um deve ceder um pouco (naquilo em que é possível ceder) no seu ponto de vista. Pessoas adultas, sabem da importância de se fazer acordos; pessoas infantilizadas, agem como crianças dizendo: “se não for do meu jeito, eu não brinco mais!”.
Lembre-se: casamento não é feito para crianças, mas para adultos! Pessoas adultas, conseguem ouvir avaliações negativas a seu respeito, “retendo o que é bom”. Analisam as observações, separando os exageros e utilizando os bons conselhos! Não é isto o que acontece, quando ouvimos as “broncas” de nossos chefes no trabalho? E devido a aprendermos com este processo, hoje não somos profissionais melhores? Assim também acontece no casamento! Com a diferença de que as observações negativas, são feitas por alguém que nos ama e ESCOLHEU viver ao nosso lado. Esta pessoa, pode estar um pouco alterada ao falar, mas quando separamos as palavras exageradas, conseguimos ouvir o clamor de um coração que sofre, por nos amar e que deseja o nosso bem!
Quando pensamos na vida conjugal, os anos de convivência vão mostrando que mudanças são necessárias, tanto em nível pessoal, quanto do casal. Algumas pessoas, têm grande dificuldade em “flexibilizar” pontos de vista, idéias e comportamentos. A alegação para essa rigidez é que “eu fui sempre assim, vou ser sempre assim – quem quiser, que me queira assim!”. É o chamado “complexo de Gabriela” (lembrando a letra da música-tema, da novela com este nome). Esta atitude pode parecer certa, mas em geral acaba em discussões intermináveis, que não contribuem para a paz no relacionamento.
Existem áreas de nossas vidas que não devemos mudar, por fazerem parte do nosso caráter, dos nossos valores mais profundos, principalmente quando estes têm sua base na Palavra de Deus. Mas muitas outras áreas são negociáveis e as mudanças podem ajudar-nos a viver melhor, tanto conosco mesmos, quanto com as pessoas que convivemos.
Quando existe esta “rigidez” excessiva, isto geralmente acontece, porque a pessoa não consegue olhar a questão sob o ponto de vista da outra pessoa. Além de ser uma atitude injusta, também é egoísta. Paulo em Fp 2:3-5 nos exorta a que não sejamos egoístas, ”mas humildemente consideremos os outros superiores a nós mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus”.
Colocar-se no lugar do outro, avaliar a vida sob o prisma da pessoa que tem o pensamento diferente do nosso, ajuda-nos a “entender” melhor o que o outro fala, bem como avaliar a possibilidade de “flexibilizar”.
Ore ao Senhor e converse com seu cônjuge. Comece a entrar em acordo, percebendo os muitos pontos que vocês tem em comum. Tente olhar a vida, sob o ponto de vista do seu conjuge, que é alguém que o ama e se interessa pelo seu bem. Assim, você trará de volta a bondade, a delicadeza, a cordialidade, a solidariedade, o sorriso, o bom humor, a condescendência. Estas realidades voltarão a fazer parte dos seus relacionamentos. Isto será saúde para você e para o seu casamento!

Deus te abençõe sempre

Pr. Marcílio

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Os Espectadores de Jesus

Autor: Pr.Marcílio Gomes Marinho

"Então os soldados encarregaram-se de Jesus. Levando a sua própria cruz, Ele saiu para o lugar chamado Caveira ( que em aramaico é chamado Gólgota); Ali o crucificaram, e com Ele dois outros, um de cada lado de Jesus." Jo 19.18,17


Os discípulos testemunhavam a respeito de Jesus. Pedro afirmou que "não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos" At 4.12. E muitos foram que presenciaram e viveram as maravilhas realizadas por Jesus, mas alguns não pronunciaram e não externaram sua gratidão a Jesus.
Pedro era discípulo de Jesus, havia participado da pesca maravilhosa relatada em Lucas 5; presenciou a maravilhosa cura de uma mulher que padecia com hemorragia (Lc 8.45); da bênção da 1ª multiplicação dos pães e peixes (Lc 9.10-17) declarou que Jesus era o Cristo "Ungido de Deus (Lc 9.20), no entanto ao caminho do Gólgota fica apenas como espectador, assistindo a Jesus sendo levado, a ponto de o negar por três vezes "Não sei o que dizes..não o conheço"(Mt26.70
Judas também era um dos doze discípulos e não diferente como espectador, assistiu Jesus sendo levado pelos soldados romanos, queria apenas aproveitar, vigiava a Jesus; na sua posição visava apenas lucros, mercenário, combinou com os principais sacerdotes e os capitães, concordando em receber dinheiro para poder entregar a Jesus (Lc 22.3-6); Na ocasião em que Maria em Betânia ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos, repreendeu a Jesus dizendo, por que a mulher não vendeu o perfume para dar aaos pobres, mas porque ele tomava conta da bolsa de dinheiro e tirava o que nela se lançava (Jo 12.6).
Os ladrões que foram crucificados no mesmo momento que Jesus como espectadores falaram com Jesus, um querendo exigir..."não és tú o Cristo? salva-te a ti mesmo e a nós também; o outro, apresentava-se rendendo à Jesus e crendo que Ele era o filho de Deus, "...Mestre lembra-te de mim quando vieres no teu reino."
Muitos outros assistiram a Jesus em várias ocasiões no seu ministério terreno e na via dolorosa, quem não via aquele quadro cruel: Os pretores romanos, a multidão, o inferno...mas também os céus e todo oseu exército estava em prontidão. No momento em Jesus declara Pai está consumado, nas tuas mãos entrego o meu Espírito (Jo 19.30), cumprindo então o que foi dito pelo profeta Isaías "Tragará a morte para sempre e assim, enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque o Senhor falou"(25.8) e o Apóstolo Paulo escreve à igreja em Corinto em sua 1ª carta "tragada foi a morte pela vitória"(15.54b)
Espectador é todo aquele que assiste a um acontecimento
Muitos como espectadores também assistiram a Noé e zombaram dele; a Abraão e também zombaram dele; negaram os profetas; desafiaram os reis da parte de Deus e perseguiram aos discípulos.
E hoje? Como você vê a Jesus?
que seja sempre amando, cuidando e zelando do nome de Cristão
Muitos assistiram o maior acontecimento da história que culminou em sua morte e ressurreição, e voltará para levar a sua igreja, sua noiva, e Ele nos deu uma responsabilidade de sermos não apenas ouvintes, mais praticantes, não apenas assistir mais testemunhar.
Lucas 24.48 "Vocês são testemunhas destas coisas". Que Deus possa contar com você não apenas como um espectador, mas também como uma testemunha.

Deus te abençõe sempre

Pr. Marcílio G. Marinho